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domingo, 17 de dezembro de 2017

sobre iriri


Olhando para o mar de Iriri, lembrei dos diálogos que tive com Napê , sobre nossas experiências diaspóricas. Venho entendendo que o corpo diaspórico afrobrasileiro constitui-se não apenas numa contemplação, as vezes idealizada, de um passado Africano. 
A diaspora é atualização, tradução.
Sendo assim, pergunto-me: como águas atlânticas, de séculos passados, atualizam-se em mim na contemporaneidade?
Há momentos que minha experiência de diaspora produz em mim a sensação de habitar o mar. Sinto-me naufragando e emergindo. Nado, mergulho. Avisto ilhas de liberdade, nado até elas. 
Mas sempre volto ao mar, onde também me sinto livre, e expansiva.




sábado, 9 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

10º tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

Em minha pesquisa Corpo-Flor, foram poucos os momentos em que desejei entrar em matas para criar alguma obra em vídeo, fotografia, site specific. Todas minhas experimentações e registros, foram feitos dentro de minha casa. Dentro de um lugar feito de cimento, lajota, ferro. Paredes (de memórias), móveis de maneira, eletrodomésticos comprados ha 7 anos, internet, objetos de vidro, cerâmica, e jardins compostos por plantas naturais-artificiais. Corpo-flor nasce ouvindo buzinadas, barulhos de liquidificador, de televisão, de radio e as vezes tiros. Como resposta, em meio ao caos sonoro, este corpo tenta se fazer ouvido através de gritos prazer, raiva, medo, e gargalhadas de deboche e desprezo. Consegue ajuda e a oferece.

Nessa pesquisa, venho propondo uma corporeidade que constitui-se numa relação unica com a natureza; em sua pele brotam flores e plantas. Corpo-flor provoca em mim inúmeros questionamentos sobre um modelo de humanidade produzido por uma branquitude delirante e toxica,  que conduz nossas relações com a história-cultura.

Este território onde Corpo-flor surge e se alimenta, também é composto por memórias, afetos, desejo, tradições e traduções. Sendo assim, venho falando de um corpo hibrido. Hibrido de temporalidades. Ao reapropriar-se de saberes ancestrais, usando-os em sua contemporaneidade, este corpo traduz e atualiza tradições afro brasileiras e africanas, e produz para sim uma estética hibrida de passado e presente. Isso significa que Corpo-flor não se afirma na tentativa de materializar-se numa pureza que compõe um modo nostálgico e idealizado de voltar-se ao passado Africano. Entendo que o acesso a este passado só se da na atualização dele no presente. Sua contemplação só é possível através de transcrições; justamente aquilo que venho fazendo com corpo-flor. Eu reteriorializo no presente um corpo pré-colonial. Um corpo que em algum momento da história, experimentava-se sem o auxilo das identidades raciais e sexuais que há séculos configuram a ocidentalidade.

Em toda identidade ha uma fração de violência, pois a identidade constitui-se num complexo processo que afirma e cristaliza um modo de viver. Pensado nisso, preocupo-me em qual identidade tenho criado com o corpo-flor. Também penso em como venho criando. Para proteger-lo de violências (neo)coloniais, e potencializar aquilo que de bom lhe foi plantado, produzo para Corpo-flor próteses orgânicas, feitas com plantas, tecido, silicone, latex, ouro e tinta sintética. Entendo como prótese tudo aquilo que encontra-se acoplado no corpo, mas não foi produzido através de seus processos bioquímicos. Sendo assim, próteses são roupas, acessórios, calçados, maquiagem.

Parcialmente concluo que, corpo-flor possui uma estética hibrida temporalidades, generos e território geografico-afetivo. Corpo-flor é afro-brasileiro, ancestral-contemporâneo, tribal-urbano e também habita o entre lugar da masculinidade-feminidade.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

domingo, 3 de dezembro de 2017

9º tentativa de se reconstruir em um corpo-flor

estou experimentando as tinturas faciais. tenho gostado bastante dos resultados. tem sido uma maneira de me despersonificar. separar, esteticamente, castiel do corpo-flor.