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quinta-feira, 16 de março de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Cartografando minha estrategia poética 3

.Se eu me despir de todas a próteses que classificam meu corpo como bixa e, em seguida, ainda intervindo sobre este corpo que incessantemente tentam tomar de mim, retirar por completo sua pele preta, que o garante um lugar de precariedade no sistema de raças, eu ainda continuaria fazendo parte de uma realidade imperfeita composta por racismos e homofobias?

.Eu, sujeito negro e bixa, ainda continuaria sendo reconhecido como tal, se em um dia qualquer aparecesse na rua com meu corpo nu e sem pele?

.Por fim, convoco-me a pensar: as peles biossociais que me cobrem, sobrevivem em suportes diferentes do que hoje estão presentes: um corpo despontencializado? 
Ou seja, essas peles sobrevivem em um corpo que não se finaliza em modelos identitários rígidos ( raça, gênero, sexualidade), que o aprisionam todos os dias?

Bem, por agora eu não consigo responder  com certeza nenhuma dessas perguntas. E, são justamente tais múltiplas possibilidades de respostas que tenho me apegado, me debruçado, me submergido. 
É neste embate sem fim entre meu corpo e minha pele que venho estruturando minha produções mais recentes.  Tenho me encorajado a estudar e (me) produzir (em) um corpo no seu mais elevado nível de abandono dos processos de subjetivação que tentam serializa-lo. Sendo assim, através de investigações e experiencias sensoriais sobre o que tenho entendido como pele preta-bixa, novos modelos de singularização estão florescendo diante de mim e sobre mim. 

Tenho me permitido a repensar minha atual corporeidade que, ao meu ver, não mais provoca a desestabilização de raça, gênero e sexualidade que atualmente procuro. Penso que a estrategias de subversão não mais dão conta de suprir as necessidades de um corpo como o meu: produto de um complexo processo de desumanização, que continuam operando sobre mim. 

A subversão é uma ferramenta necessária, mas sua dependência com a animalização a torna falha. Eu preciso assumir outras estrategias de fuga. Abandonar velhos caminhos e criar novos territórios. A subversão é reteritorialização do corpo negro-bixa. Ou seja: uma mudança de lugar. E, o que tenho sentido necessidade é de criar um novo corpo. Não recriar, e sim criar!
Um corpo que não depende de um racismo para ser estruturado, como ocorre na subversão e sim um corpo que abandona todas as suas marcas identitárias.

E para isso, talvez eu preciso abandonar minhas peles biossociais, pois entendo que é a partir delas que meu corpo torna-se precário
Sendo assim, nego a raça, o gênero, e a sexualidade. E, passo a me criar como um corpo negro, apenas. 

Se minha roupa, meus trejeitos, minha corpo, meus desejos serão categorizados e recategorizados, eu tentarei não mais me importar como antes. Pois, essas classificações não mais estarão falando sobre mim em totalidade. Na realidade, elas nunca conseguiram.  

quinta-feira, 9 de março de 2017

Lançamento da exposição coletiva "Cá Entre Nós", realizada na OÁ Galeria - Arte Contemporânea, onde eu expus a obra "Florescimentos Urbanos".




Eu vestindo a obra Costuras Orgânicas 



Paola e Napê vestindo peças da série Jardim Experimental. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Precário

Precário
.Condição daquilo que é frágil, incerto: o corpo. 
.O que tem pouca estabilidade ou duração: a captura.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

pele de pétalas

Minha pele é feita de um conjunto de pétalas que foram retiradas de uma flor que desabrochou em meio a um mar de saudade. Saudades daquele marinheiro-jardineiro que a pescou enquanto semente, e a plantou em seu jardim periférico experimental. 

Minha pele tem cheiro de nostalgia. Nostalgia de quando aquele marineiro regava suas raízes com a água trazida do mar de lua cheia, alimentando-as com os movimentos de suas ondas, que levam e trazem amores mal resolvidos.


Essas pétalas que formam minha pele são azuis da cor do meu cabelo que semana passa foi cortado da minha cabeça com a mesma falta de delicadeza que pode ser lamentada por aqueles que assistiram a flor sendo arrancada do caule, que outrora fora raptado por de sua terra.

Essas pétalas presenciaram um adeus que minha pele luta para não dizer. 

Castiel Vitorino